olha-me com carinho que eu fico. diz-me aquelas palavrinhas que sempre destruíram a minha muralha, ou aliás, não digas nada, deixa-me ler no teu silêncio que me esperou voltar e que desistiu de me manter afastada. isso mesmo, porque eu nunca consegui ir longe o bastante. mas eu quero-te até onde a vista não alcança. coloca em mim a culpa, eu deixo se tu não me deixares ir novamente. eu sequei depois de sangrar horas a fio. eu caí de cara no meu próprio abismo porque eu odeio ver as tuas fotos e não te ver feliz do meu lado. repara só como nem chorar eu consigo mais, já faz tempo que a minha alma não escorre pelos meus poros. eu limpo o teu cantinho do meu coração todos os dias para esse amor não se desgastar. ouvi dizer que se ele ficar quietinho desaparece, e só mais um dia eu acordei com a esperança a cantar lá fora. traz de novo aquela paz que eu tanto traguei enquanto me via sorrir dentro dos teus olhos. esquece que sentes pena da minha dor, esquece a tinta e esquece a folha. nós escrevemos de novo essa história. eu deixo os pontos finais lá em cima, a fingirem ser estrelas, a enfeitar o céu da tua boca. eu sinto falta dos teus arranhões que uma paixão desvairada provoca. avisa-me que eu posso entrar de fininho de noite. pede-me na força, na calma. perdoa-me a pressa de insistir em nós. chega aqui com os teus dedos e toca até derreter, enquanto eu me deleito novamente nas curvas do teu nome, nas voltas que a vida dá enquanto nós nos distraímos. marca o meu presente com as tuas pegadas, é uma dádiva essa tua mania de me dar a sensação de que tenho o mundo todo nas mãos quando te abraço. ilumina o fundo do poço, é que eu era tão eu contigo e no escuro não sei mais quem sou senão cinzas e fragmentos. tanta gente ora pelo fim das guerras e eu só te peço para acreditares no que a lenda reza, nascemos para ser um erro não retratado. dá-me um espacinho, a ponta dos teus dedos ou o fim da tua tarde que eu juro tropeçar na esquina dos teus ombros e ficar para sempre, até essa palavra perder o significado. tira-me da parede, e põe-me no pensamento. não faço barulho, só as minhas batidas aceleradas assustam de vez em quando. faz-me ter de novo aquela fé no que ainda dá para fazer deste monte de retalho embaralhado pelo chão da sala. eu saí dos teus dias, mas por favor, não me deixes ir embora da tua vida. dá-me um sinal que eu salto de volta e mostro-te que todos os teus infinitos nasceram para caber única e exclusivamente em cada beijo meu.

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