Um último desabafo.

Eu importei-me demais, talvez tu nunca imagines o quanto eu fui louca por ti. Eu fiquei cega, fui inconsciente e imprudente com as minhas atitudes. Abri mão de muita coisa, estendi os meus dois braços e servi como apoio, quando a tua estrutura estava frágil. Acho que eu fui demais, para alguém de menos. Atropelei as nossas diferenças, que cedo ou tarde, eu sabia que me iriam dar um murro na cara. Dito e feito, eu apanhei e acordei para a vida… Depositamos a nossa própria felicidade em alguém que nos encantou com um beijo, um abraço, um gesto ou qualquer detalhe fascinante, ao nosso ver. Depositamos confiança e expectativas em alguém, praticamente, desconhecido. Apostamos em algo que, aceitando ou não, muitas vezes o coração já previu o final. Ao longo desse tempo, eu tentei fazer-te a pessoa mais feliz do mundo. Eu ofereci-te o que estava ao meu alcance e, mesmo quando não estava. Eu discuto, sim. Mas também sei tomar as dores do outro, sei defendê-lo, sei colocar o céu como limite. Sei levar às estrelas, sei levar a ver cada pôr do sol. Eu sou tudo o que tu nunca tinhas tido, tudo o que tu nunca tinhas conhecido. Tu já gostaste verdadeiramente de alguém? Ou já desejaste muito que a tua relação desse certo? Pois bem, se a resposta for sim, então tu sabes que quando nós amamos alguém, nós simplesmente fazemos acontecer. E, sabes, a cada dia, tu mostras-me que realmente nós não nascemos para somar. Tu só me subtraíste, me diminuíste. Levei muito tempo para compreender e aceitar. Chorei, quieta e na minha. Discuti por intermináveis vezes, expliquei o meu ponto de vista uma, duas, três vezes e além. Citei claramente o que me faltava, e continuei a ser o que, muito provavelmente, depois de algum tempo tu nem merecias mais. Fui mulher para te desculpar, e tu voltaste a repetir os mesmo erros. Muita coisa mudou para mim, para nós. Eu já não estou mais tolerante, muito menos paciente. Eu não sei lidar com imparcialidade. eu não sou assim. Tu estás a falar com alguém que apanhou muito, com feridas incuráveis. Talvez, hoje, tu não entendas o que é entregar-se de corpo e alma, mas eu tentei mostrar-te de todas as formas. Mas se tu não consegues interpretar o significado da palavra reciprocidade, não faz sentido o meu desgaste em tentar mostrar-te. Amanhã eu tenho a certeza que tu vais aprender. Mas será tarde demais, eu já estarei fora do teu alcance. Eu não te encontro mais na minha prospecção de felicidade. Não idealizo, não fantasio e não insisto. Talvez tu culpes a vida, ou a mim, por não ter dado certo. Mas eu continuo a afirmar que, quem não cuida, não merece ter. Se eu realmente fosse tua, como tu dizes, tu farias qualquer coisa por mim. Mas não, manter-se na comodidade e na mesmice dos teus actos sempre foi e sempre será mais conveniente para ti. A única diferença, é que eu não estou mais disposta a aceitar que tudo seja do teu jeito. As tuas palavras já não têm mais valor, promessas são apenas promessas. O meu silêncio para ti, traduz tudo o que eu insistia em reafirmar e que agora já não faz mais sentido. A partir de agora guardarei a minha saliva para o que realmente for necessário ser dito. Eu tenho aceitado, aos poucos, ficar sem ti. E tu estás a deixar passar tudo despercebido. Quando caíres em ti e olhares para a frente, eu já estarei bem atrás. Como alguém que fez de tudo para ser notada e que agora tornou-se o teu passado. 

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